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Pescoço de Girafa... (7)

(Continuação)

DESASTRE SOBRE O LABIRINTO DE CRETA

Chamava-se Ícaro. Belo rapaz, apaixonado por aventuras perigosas. Sobretudo aéreas. E quantas quedas, quantas decepções! Desde muito criança experimentava os mais variados vôos. De cima de muros, de galhos de árvores. Sempre incentivado pelo pai. Um sujeito meio louco chamado Dédalo.
— Engraçado, pai, eu sempre pensei que o senhor fosse grego.
Dédalo dizia gostar de boas mentiras. Com isso sempre alcançava seus objetivos. Assim conquistara sua mulher, dizendo-se engenheiro.
— Mas o senhor construiu o labirinto, não foi?
Dédalo ria, gargalhava. Não, nunca construíra nada. Mais uma mentira fabulosa de sua vida.
Ícaro também ria. Enquanto se preparava para mais uma aventura. Iria voar pelos céus.
Ajudado pelo pai, amarrava a si umas enormes asas. Voaria até perto do sol.
— Pode ir, meu filho.
E ele decolava. Partia lentamente, a poucos metros do chão. Batia as asas, subia mais, impunha-se velocidade. Olhava para baixo. O pai se reduzia a quase nada, assim como as casas, as árvores, a própria Terra. Avistava estrelas, que cresciam a cada instante. Um prodígio voar, andar pelo espaço, pleno de liberdade!
Ria, quando avistou um objeto vindo em sua direção. Um meteoro? Um disco voador? Um pássaro? E se o atingisse?
O objeto voava célere contra ele. Um pequeno avião. Aguçou a vista. Havia um homem no aparelho. Podia ver, com nitidez, uma inscrição na parte externa do avião: 14-Bis. E as feições do homem: Alberto Santos Dumont.
Acontecia então o choque. E suas asas se espatifavam. Tonto, caía velozmente.
Num átimo, chocava-se contra o chão, feito uma fruta caída do galho. Em pleno labirinto de Creta.
Estirado na cama, olhos grudados no teto, Santos Dumont gritava.

AS INFINITAS PERNAS DE WELLINGTON

Era anão. Sujeitinho do tamanho de um dedo de homem comum. E comandava milhares de outros seres feitos à sua imagem e semelhança. Valentes soldados.
Sempre vitorioso, esse general de alguns centímetros tinha mania de grandeza. Sonhava conquistar o mundo. Tornar-se o rei da Terra.
Porém chegou o dia de enfrentar um exército de gigantes. Homens enormes, do tamanho dos comuns. E o general anão se pôs a pensar? Que estratégia havia de usar contra os tais gigantes? Fez cálculos, desenhou figuras, anotou nomes e números.
Ao cabo de mil planos mirabolantes, decidiu-se pelo mais ousado: avançar e chegar ao inimigo.
Muitos de seus soldados seriam esmagados pelas botas contrárias. Feito formigas. Em compensação, milhares se salvariam. E escalariam o couro dos calçados. Atingiriam a perna, todo o corpo. Com as baionetas envenenadas, picariam a pele goliarda.
Estratégia de gênio!
Dada a ordem de atacar, o infinitesimal exército avançou. À frente marchou o genial estrategista.
De longe ainda pôde avistar a cara do comandante inimigo. Porém, à medida que avançavam um para o outro, ia deixando de ver partes do corpo gigante. Até enxergar apenas uma enorme bota.
Preocupado com o próprio destino, não teve a oportunidade de constatar a realização integral de seu plano. Milhares de anões esmagados pelas botas gigantes. E outros milhares agarrados ao couro dos calçados.
Ao atingir o topo da bota inimiga, o general anão escorregou. Por sorte caiu para dentro do calçado. Refez-se do susto, agarrou-se aos pêlos da nobre perna. E dela não mais se afastou.
À altura do joelho, pensou dar a primeira alfinetada. Sentia muito calor e cansaço. Urgia pôr termo àquilo. Não, necessitava atingir a cabeça do homem. Daria apenas uma picada mortal.
E subiu mais e mais.
Alcançada a metade da coxa, ouviu um fragor, seguido de insuportável odor. Apavorado, ainda tentou levar as mãos ao nariz. E escorregou pela segunda vez.
Caía, caía, uma queda eterna. Como se as pernas do duque de Wellington fossem infinitas.
E Napoleão Bonaparte acordou, tentando agarrar-se a nada.

UM COVEIRO MONSTRUOSO

Montado num cavalo recém-domado, Átila percorria a vista pelos prados da Panônia. O animal trotava, cheio de garbo, como se quisesse dizer ao homem que também tinha dignidade.
Satisfeito com o procedimento do cavalo, Átila pôs-se a falar, carinhosamente. Dar-lhe-ia um belo nome. Que tal Huno? Não, arranjaria um nome próprio dos melhores animais. Leão, por exemplo. Sim, Leão.
O animal relinchou, como se risse, gostasse da fala do homem.
Átila prometeu outras cortesias ao cavalo. Invadiria Roma, montado nele. Destruiria o Império Romano. E lhe daria até um cognome: Leão, o Cavalo. Para distingui-lo do Papa Leão, o Grande.
De novo o animal relinchou, agora de maneira esquisita, e deu pulos, como se tivesse gostado das últimas palavras do rei.
Para sossegá-lo, Átila comprometeu-se a nomeá-lo papa. O rei do mundo cavalgaria o papa-cavalo.
Leão desembestou e livrou-se, de vez, da carga. Machucado, furioso, Átila sacou a espada e investiu o cavalo. Ia ensinar como uma animal devia tratar um rei.
Ameaçado, o cavalo ergueu as patas dianteiras e, gigantesco, atacou o pequeno homem. E relinchava e arreganhava os dentes.
Átila recuava, praguejava, desequilibrava-se. E terminou caindo num buraco.
Leão chegou à beira da cova, olhou para o homem caído e pôs-se a escavar o chão. Sim, ia jogar terra sobre Átila, enterrá-lo vivo.
Desesperado, o rei dos hunos gritava, se debatia, tentava escalar as paredes da cova. E mais terra sobre ele caía. O cavalo ria, gargalhava, feito um coveiro monstruoso. Átila, porém, salvou-se no último instante. Sacudiram-no e ele acordou.

A FOME DE MALTHUS

Há três dias o reverendo Thomas Malthus não se alimentava. E pouco dormia. Precisava fazer a revisão final de seu livro. Não queria um só erro tipográfico. Nada de gralhas.
Morto de cansaço, sono e fome, adormeceu sobre o impresso. E teve um sonho horrível.
Acordava, faminto, e gritava pela criada. Preparasse urgentemente um farto almoço. A criada, porém, não pareceu ouvi-lo. Irritado, Thomas correu à cozinha. E encontrou o corpo estendido no chão. Fedia. Talvez tivesse morrido de preguiça.
Cada vez mais esfomeado, o economista vasculhou toda a casa à cata de alimento. Nem um só grão de arroz.
Desalentado, Thomas resolveu sair de casa. Iria a um restaurante. Porém teve um grande susto ao abrir a porta. Dezenas de cadáveres estirados ao longo da rua. E moribundos retorcendo-se de dor.
Que peste seria aquela?
O reverendo aproximou-se de um homem que lambia o chão. Dissesse apenas o nome da peste. E o semimorto disse: fome. Não havia mais alimentos em Londres.
Feito um doido, Thomas corria as ruas. Só cadáveres e moribundos. E notícias alarmantes. Em toda Inglaterra não havia mais um único bife. Tudo podre. Como os homens, também ao animais morriam. Nem insetos restavam. Todos haviam sido devorados.
Súbito o economista avistou um belo e enorme rato. Urgia pegá-lo. Daria um suculento bife.
Malthus preparava-se para o bote fatal. Pegaria o bicho pelo rabo. E saltou. O rato, no entanto, não se deixou capturar e fugiu. Não correu muito, porém. À sua frente apareceu um gato encantador, de belos olhos verdes.
A princípio, o economista se desesperou. Seu bife ia virar banquete de gato. Depois se alegrou. Rato no almoço, gato na janta. E armou-se para o duplo ataque.
No último ato do sonho, o gato se transformava em Napoleão Bonaparte. E o rato num lord qualquer. Os franceses haviam, finalmente, invadido a Inglaterra.
Thomas acordou aos gritos, suado, apavorado. A criada lia sua teoria da crise mundial de alimentos. E ria.

BICHO AMARRADO PARA MORRER

Prisioneiro dos tupinambás, Hans aguardava cristãmente a morte. Lembrava-se perfeitamente de tudo, desde sua captura, naquela fatídica manhã de 1554. A chegada à aldeia, a recepção, a festa. Mulheres e crianças o esbofetearam. Cortaram-lhe sobrancelhas e barba. E o amarraram pelo pescoço, como se fosse bicho. Sentira-se espiritualmente aniquilado. Reles vivente. À espera do golpe mortal. Para depois ser esquartejado, assado e comido pelos canibais.
No entanto, logo lhe trouxeram alimentos e, mais tarde, uma jovem índia. Comesse e engordasse. E fizesse da indiazinha sua mulher.
O alemão se recusava a comer aquelas porcarias e não queria a companhia da fêmea. Arrependia-se da viagem ao Brasil. Antes tivesse ido à Índia. Ou estacionado em Lisboa. E chorava, tremia de terror, rezava. Pois vira muitas cabeças de gente espetadas. De homens devorados por seus carcereiros.
Que Deus o livrasse daquela tortura, de tão terrível destino. Não podia escapar à morte, bem sabia, pois mortal nascera. Porém queria morrer em sua terra, junto a seus parentes e de morte natural.
Deitado na rede, Hans pedia o socorro divino. Só o Pai Eterno o salvaria.
Súbito ouviu um farfalhar de ventos e se pôs atento. Talvez uma tempestade. Depois um clarão, como de relâmpago. Olhou para o céu. Nuvens brancas passavam. Soergueu-se e, com grande espanto, viu um vulto descer ao chão. Um velho de longas barbas alvadias e imaculadas vestes.
— Eu sou o Salvador a quem chamaste, meu filho.
Maravilhado, Hans sorria, olhos fitos no ancião.
— Vim para te salvar.
E o Onipotente alisava os cabelos sujos do europeu. Ninguém o mataria. Num minuto estariam na Alemanha. Todo o Atlântico não media um passo.
Tanto barulho só podia ter despertado a indiada. E logo uma dezena de selvagens invadiu a cabana onde o pobre Hans dormia. Quem era o velho?
— Ele é deus, ó brutos!
E o alemão, rindo, se dizia salvo. Fossem os bárbaros matar e comer animais. Nunca o matariam. Seu deus viera salvá-lo. Brevemente estaria do outro lado do mundo. Onde imperavam a lei de Deus, a Justiça, a Civilização. Ficassem com o Diabo e a Barbárie.
Os índios, porém, não deram ouvidos a Hans. Agarraram o velho de barbas brancas e o amarraram com cordas. Agora havia dois escravos e a comilança seria farta. Fariam uma festa espetacular.
Não tardou, foram os dois conduzidos ao centro da aldeia, onde toda a tribo cantava e dançava.
Estupefato, o europeu não reagia. E se deixava conduzir ao holocausto. Não passava mesmo de bicho amarrado para morrer. Ele e seu Deus. Repetição da história de Jesus.
Só restava esperar o desfecho de sua pobre vida. Um golpe de clava na nuca, os miolos saltando longe, o esquartejamento, a fogueira. Depois as bocas famintas em suas carnes.
E o velhinho? Nada faria para livrá-lo do suplício? Pois também lhe cortavam a barba e riam estrepitosamente.
Não, não aguardaria passivamente a morte. Não custava nada tentar uma fuga. Afinal, até Deus o abandonara. Mas coitado do velho, também condenado à morte! E tentava escapar, embora amarrado pelo pescoço. Os selvagens, porém, o perseguiam e pegavam.
— És nosso bicho, como nosso bicho é o teu velhinho.
E se preparavam para o sacrifício. Bebiam, pintavam os prisioneiros, cantavam e dançavam. Um dos homens segurava a clava com que iria matar Hans e o ancião.
Nesse momento Hans Staden acordou, aos berros.

BICHO ASQUEROSO

Três dias antes de morrer, Euclides Azevedo leu uma biografia de Arnaldo de Bréscia. Pouco mais de cinqüenta páginas. O livrete fazia parte de uma coleção. O primeiro volume biografava Frederico Barba-Roxa. Os volumes seguintes eram dedicados a Carlos Martel, Carlos Magno, Henrique IV, Ricardo Coração de Leão e outros monarcas.
Desde adolescente, Euclides sentia imenso prazer em ler biografias. Sobretudo as vidas de personalidades da Idade Média. Como sempre fazia, rabiscou, à margem das páginas, algumas observações. Uma delas diz: “Queimar um homem é crime hediondo. Mais hediondo é queimar mulheres. E crianças. E poetas”.
Euclides pretendia escrever um romance de Joana d’Arc. Não um romance histórico, mas psicológico-político. Seria seu primeiro romance. Anos e anos de leituras e anotações. Vários cadernos repletos de inquisições, atrocidades, fogueiras.
O último capítulo da biografia de Arnaldo de Bréscia é o mais grifado por Euclides. Intitula-se “Preso, estrangulado e queimado”. É a narração minuciosa do fim do grande inimigo do Papa Eugênio III. Capítulo assombroso. Um retrato da mais terrível das mortes. Euclides parecia sentir a proximidade da própria morte. Como se ela fosse um bicho asqueroso.

CONSELHO DE LUÍS XVIII

Durante muito tempo Carlos Prado se considerou desenhista de primeira grandeza. Também muita gente o considerava assim.
Desde menino garatujava, desenhava, pintava. Criançaprodígio, diziam seus pais e parentes. Seria um Michelangelo. Pena ser brasileiro.
Fez-se homem. E, para sorte sua, chegou ao Brasil a Missão Artística Francesa. Com ela, Charles Pradier. Correu ao encontro do artista famoso. Conheceu-o. Viu seus desenhos brasileiros. Sobretudo os de D. João VI. Tudo lhe parecia magnífico. A corte portuguesa parecia a francesa. Magnifique! Elogiava todos os quadros do visitante. Sempre em francês. “Ah! que vous êtes génial!” E não largou mais o francês. Até decorou frases inteiras de Chateaubriand: “Une heure après le concher du soleil, la lune se montra au-dessus des arbres à l’horizon opposé”. E também de Ronsard, Rabelais, Corneille, Racine, Molière, la Fontaine, Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Diderot, e muitos outros. Quase morreu de tanto ler. Quase trocou o desenho pela literatura. E se se tornasse poeta? Sim, por que não escrever versos? Em francês, naturalmente. Tentou. Quis imitar André Chénier. Desistiu logo. Seu destino era mesmo o desenho.
A seguir, viajou à Europa. No rastro do suíço. Ah se pudesse hospedar-se na casa dele! Porém Charles nem deu ouvidos a Carlos. De qualquer modo, encontrava-se no Velho Mundo. No melhor dos mundos. Logo ficaria célebre e rico. Seu nome na boca dos reis. E, se tudo se desse como imaginava, logo arranjaria uma francesinha. Casaria na Sainte-Chapelle, na St.-Germain-l’Auxerrois, na Notre-Dame. Se tivesse mais sorte, com uma princesa. E nunca mais veria o Brasil, terra de índios e negros. Sim, nada de morrer no Brasil, obscuro e pobre. Queria seu lugar na galeria dos grandes pintores. Precisava retratar reis, rainhas, princesas. Seria famoso. Mais que Pradier e Debret.
Em Paris conheceu outros pintores e desenhistas. E também condes e condessas, duques e duquesas. O melhor da corte de Luís XVIII. Já falava francês como qualquer parisiense. E até pensou mudar de nome: Charles Pré. Aconselharam-no a mudar de idéia. O nome não agradava.
Na verdade, Carlos Prado queria mesmo conhecer Luís XVIII. E retratá-lo. Houve espanto. O rei nem sequer o receberia. Ele insistia, insistia. Procurava condes, cardeais, madames. Uns riam, outros não o viam. Talvez fosse maluco. Enfim lhe trouxeram a resposta do monarca. Resposta ingrata e desairosa: A França não precisava de desenhistas brasileiros. Fosse desenhar o rei do Brasil. Se é que lá havia rei. Ou se é que o Brasil existia mesmo.
Desiludido, ou mais iludido ainda, voltou à Pátria. E procurou seguir o conselho de Luís XVIII. Depois de muitas idas e vindas, conseguiu ver o rei. Extasiou-se. Finalmente diante de um rei. Embora brasileiro e português. Nesse dia adoeceu, teve insônia, embriagou-se. Tudo em vão. Pois o retrato que fez do rei quase o levou à prisão. D. João indignou-se. Aquilo não era arte. Aquela garatuja não valia nada. Um desaforo! Rei com cara de plebeu. Não, não parecia um rei. Aliás, aquilo não era retrato. Aquele idiota não desenhava nada.

ESPUMAS E ESTRELAS

O físico Alexandre Neves viveu seus últimos dias num manicômio. Completamente abandonado pelos familiares e ex-colegas.
Alexandre fez-se famoso a partir de 1961, quando conheceu Hannes Alfven e se dedicou ao estudo das teorias do futuro Nobel. Logo passou a publicar artigos e ensaios, na revista Física, onde demonstrava erros científicos nas teorias do físico sueco.
Seu mais polêmico ensaio é Nova cosmogonia do sistema solar. Para alguns cientistas, não passa de “um amontoado de baboseiras”. Outros, porém, vêem neste e nos demais estudos de Alexandre os germes da física do século XXI. Jornais e revistas publicaram declarações de uns e outros. Para logo desmentirem tudo. Os jornalistas simplesmente haviam distorcido suas palavras. O Doutor Cícero Plasmático chegou a brincar: nunca falaria ou escreveria a palavra “baboseira”. Muito menos “baba”. Preferia espuma, escuma, espumar, escumar. E cuspia latim: spumas agere in ora.
Alexandre Neves seria a grande vítima moderna da ditadura dos cientistas. Sua loucura teria sido produzida ou mesmo inventada. Seus escritos subvertiam a ordem. Não a da Terra ou a das estrelas. Porém uma ordem menor, a dos homens, ou a de um punhado deles — os físicos.
Recentemente uma pesquisadora descobriu um manuscrito, de provável autoria de Alexandre. Intitula-se Hannes Alfven: a grande mentira. Porém herdeiros do físico brasileiro disseram desconhecer o caderno. Apresentado à imprensa, negaram a existência de obras inéditas deixadas pelo “doido”.
Quem, então, escreveu o polêmico livro? Talvez Prokofiev — brincou um dos filhos de Alexandre, o pianista Sérgio Neves. E referia-se a Serguei Prokofiev, o compositor.
O citado Doutor Cícero, convidado a opinar, mais uma vez gracejou: Aleksandr Prokofiev nunca existiu. Pelo menos no “meio físico”. E, se existiu, não passou de invencionice de Alexandre Neves. Pois uma das afirmações mais bombásticas da obra diz serem as “ondas de Alfven” descoberta de Aleksandr Prokofiev, em 1936, e, assim, deveriam denominar-se “ondas de Prokofiev”.

(Continua)