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PESCOÇO DE GIRAFA NA POEIRA

NILTO MACIEL
CONTOS
(Secretaria de Cultura do Distrito Federal/Bárbara Bela Editora, Brasília, 1999)

ÍNDICE

O Lobo e o Cordeiro
Reportagem
As Ceias
A Pálida Visitante
Pescoço de Girafa na Poeira
Remição
Dez Cuecas Para a Eternidade
A Grande Ave de Rapina
Ode à Tarde
Dois Seres
Incêndio
O Sonho da Princesa
Never More
O Arcanjo e a Princesa
Com Unhas e Dentes
Colombo e as Carícias
Consciência Tranqüila
A Salvação da Alma
Vou Ser Herói, Maria
Circuito
A Prova
Questões de Estilo
Coisas da Natureza
Sobre o Inconsciente
Ser ou Não Ser
Cena de Carnaval em Olinda
Um Grande Homem
Menino Ofendido
Sem Fadas
Carlim
A Última Guerra de Hirohito
Ecce Homo Sapiens
A Guerra dos Bárbaros
À Beira do Cais
Como Um Sol Que Explode
Lições de Zoologia
Um Sonho Cartesiano
A Idéia de Matar Pilatos
A Divisão do Mundo
Desastre Sobre o Labirinto de Creta
As Infinitas Pernas de Wellington
Um Coveiro Monstruoso
A Fome de Malthus
Bicho Amarrado Para Morrer
Bicho Asqueroso
Conselho de Luís XVIII
Espumas e Estrelas
Belo Céu, Vero Céu
Por Culpa de Anouilh
Lampião à Italiana
Pintando o Sete na Bélgica
Rato Sonâmbulo
Vers Sans Rimes
Concórdia na Órbita da Terra
Falsificadores e Canibais
Uma Página de Robbe-Grillet


O LOBO E O CORDEIRO

Diante da porta bateu palmas, enquanto olhava para os lados. Longe um cachorro andava ao léu, rabo a balançar. Quando o padre aparecesse pediria sua benção. Preparou-se para repetir as palmas. Um rosto de mulher apareceu entre as frinchas da porta. Queria falar com o padre. Não, o padre não podia atender ninguém. Descansava, rezava.
Atordoado, o menino coçou a cabeça, fez careta. O cachorro ainda balançava o rabo. Precisava falar com o padre, sem detença. A mulher falava baixo e punha o indicador diante dos lábios. O que desejava o rapazinho dizer ao vigário? Somente a ele contaria o seu segredo. Ora, segredos só no confessionário. E confissões só na igreja, de manhã. A não ser em casos de vida ou morte. Pois o segredo de João era caso de morte. A mulher horrorizou-se e meteu o nariz no buraco da porta. Quem carecia de extrema-unção? E onde se achava o enfermo? O menino se enfezou. Não havia nenhum enfermo. Porém vinha de longe, do sítio do doutor João Forte, e ...
***
Há dias o holandês Vilgot havia desaparecido da cidade, sem deixar rasto. E ultimamente fazia suas pesquisas para as bandas do sítio do doutor João Forte. Todos perguntavam pelo estrangeiro. Sobretudo Victorino, o dono do hotel. Se o homem tivesse arribado, o prejuízo ia ser enorme. Um mês inteiro de hospedagem. E chorava por onde passava.
***
O menino implorava, a mulher permanecia do outro lado da porta. O padre rezava, descansava. Confissões somente de manhã na igreja. Então apareceu mais uma mulher. O que desejava o rapazinho? A primeira mulher deu explicações, João se intrometeu na conversa.
***
Vilgot Slauerhoff havia chegado a Palma três meses atrás. Apresentou-se às autoridades, falando um português quase indecifrável. Vinha da Holanda com a missão de estudar alguns bichos. Um dos quartos da pensão de Victorino encheu de livros, cadernos, máquinas fotográficas e outros objetos. Saía cedinho, andava pela cidade, conversava com um e outro, enfiava-se no mato. Logo aprendeu o nome de quase todo mundo. Fez amizade com algumas pessoas, tanto na cidade, como nos sítios. Num deles conheceu Pedro Lobo e sua família. E adorou seu filho mais velho — Joãozinho.
***
A caminho da sala, arrastando chinelos, o padre gritou pelas mulheres. Que gritaria medonha! Acontecia alguma confusão? As mulheres deram respostas tranquilizadoras. De qualquer forma, conversavam com outra pessoa. Quem? E João se apresentou. Queria contar um segredo a ele. Segredo somente no confessionário. O menino gaguejou. Desembuchasse logo o assunto. A primeira mulher tomou a palavra: já havia explicado... A segunda impôs silêncio àquela. João só faltava chorar, sem se fazer entender.

***
O estrangeiro mostrava a todos desenhos e fotografias de tamanduás, socós, punarés e uma infinidade de animais. Dizia serem do século XVII os desenhos. Pretendia comparar aqueles exemplares de bichos do passado a seus descendentes vivos. Pesquisa científica, universitária. Missão de muita importância para a zoologia. Sim, um missionário. No entanto, alguns o chamavam de doido. O holandês maluco.
***
Depois de muita insistência, o menino conseguiu entrar na casa paroquial. E sentou-se numa cadeira da sala. O padre se dispunha a ouvir-lhe o segredo. Se não se tratasse de história muito longa. Joãozinho tratou de ser objetivo. Se o padre sabia do holandês. Não, não sabia por onde andava o senhor Vilgot. O menino sabia? Sim – melhor dizendo –, sabia onde o estrangeiro se encontrava. Porém, o vigário não tinha nenhum interesse em saber o paradeiro do professor. Ora, então o rapazinho interrompera sua sesta para falar do cientista maluco? João coçou a cabeça. Se não contasse tudo logo, talvez fosse mandado embora. O holandês andava sempre atrás do menino. E lhe prometia viagens, estudos, conforto. Queria levá-lo para a Holanda. Essas propostas Vilgot fazia às escondidas de outras pessoas. E pedia segredo delas a Joãozinho. Porém como viajar para tão longe sem o consentimento dos pais? Melhor quebrar o segredo. Sua mãe, pelo menos sua mãe deveria compartilhar o seu mistério.
À noite Pedro Lobo ouviu de sua mulher a estranha história de seu herdeiro. E se encheu de fúria.
***
O zoólogo, manso feito cordeiro, não tinha herdeiros nem mulheres. Lecionava em Haia e conhecia todo o mundo. Ao Brasil viajava sempre, desde os primeiros tempos de universidade.
***
Padre Queiroz se aproximou mais do menino. Falasse mais alto. Menino bonito? Pecado, perdição. O mundo ia desabar ao peso de tanta libertinagem. Passou o lenço em volta do pescoço. E onde se achava o estrangeiro? Enterrado, no sítio.


REPORTAGEM

Há três dias na cidade, quase nada fizera, a não ser alugar a casa, conversar com o fotógrafo e andar pelas ruas. Puxava conversa com um ou outro, à cata de informações. Todos lhe fugiam. Os que não podiam fugir alegavam muitos quefazeres. Procurasse pessoas menos ocupadas.
Acordou, abriu os olhos. O sol já devia clarear tudo. Pôs-se a relembrar um sonho. Levantava-se, dirigia-se ao quintal. Onde andavam o galo e as galinhas? Lavava o rosto numa pia.
Lembrou-se do fotógrafo. A cama vazia. À noite passada dissera-se cansado de tanta monotonia. Iria bebericar por aí, procurar mulheres. Onde andaria? Talvez ainda dormisse no quarto de alguma rameira.
Silêncio assustador. Nenhum galo cantava. As galinhas não cocoricavam. E os vizinhos, os transeuntes, os cachorros, os burros por que não davam sinal de vida? Melhor deixar o sonho para trás e cuidar das obrigações. Talvez outra criança tivesse desaparecido. Ou mais uma jovem tivesse sido raptada.
Espreguiçou-se e caminhou para o quintal. Sim, o sol já clareava tudo. E os galos e as galinhas dos vizinhos por que não cantavam e cucuricavam? Lavou o rosto na pia. Pensou num café. Comprara bolachas e biscoitos. Todo o dia pela frente. Mais conversas, tentativas de conversas.
E o sonho? Preparava um café, abria um pacote de biscoitos. Não, o sonho não tinha a menor importância. Não adiantava relembrá-lo. Afinal, quem não sonha? Melhor sair à rua. Talvez outro homem tivesse ido embora da cidade. E mais uma vez ninguém saberia explicar o motivo dessa fuga misteriosa. A mulher apavorada, triste, revoltada. Os filhos chorosos. Os vizinhos cheios de maledicências. “Fugiu para juntar-se à amante. Um sem-vergonha.”
Procurou a cafeteira. Pareceu-lhe ouvir um canto de galo. Imobilizou-se, agarrado à vasilha. Nada, nem o mais ameno cucurico. Voltou ao quintal. O vento balançava os galhos do limoeiro. O galo seria do vizinho da direita ou da esquerda? E se olhasse por cima do muro? Preferiu ir à porta da rua. Olhou para os dois lados, para as casas em frente. Todas as portas fechadas. Ninguém na rua. Talvez fosse cedo demais. Não, o sol já ia bem alto. Hora de estarem todos bem acordados. As mulheres varrendo calçadas, os meninos brincando. E os jumentos? Pelo menos o do leiteiro. E os cachorros? Pelo menos um deles revirando latas de lixo. E os gatos? Talvez catassem borboletas nos quintais.
Voltou-lhe à mente o sonho. Ouvia um canto de galo. Seria o galo do quintal da esquerda ou da direita? Melhor deixar o sonho para depois. Precisava averiguar aqueles estranhos acontecimentos. Por que tantas crianças e moças desaparecidas? Existiriam mesmo gangues de raptores na cidade? Segundo a polícia e a imprensa, as crianças eram vendidas no exterior. E as moças? Quem as raptava? E os homens, seriam também raptados ou abandonavam suas famílias?
Teve vontade de cantar para acordar os vizinhos. Talvez não soubessem ser dia já. E se todos estivessem nas igrejas? Aquele povo vivia rezando, aos pés dos padres, cheio de pavores. Olhou na direção da igreja matriz. Viu apenas as torres e o relógio. Os ponteiros nas mesmas posições dos ponteiros do seu relógio.
Retomou o sonho. Chegava ao quintal. Nada de cantos e cucuricos. Apenas os galhos do limoeiro balançando-se.
Tolice aquele sonho. Na realidade as coisas eram muito mais buliçosas. Turbulentas até. Não tanto depois de sua chegada à cidade. Os raptos, as fugas não mais haviam ocorrido após sua chegada. E o fotógrafo onde andava? Teria voltado à capital? E se estivesse morto, assassinado num salão de cabaré? Deveria procurá-lo. Não, melhor ir até a igreja. O povo da cidade rezava por sossego. Fechou a porta e saiu. Todas as portas e janelas fechadas. Apressou o passo. Precisava chegar logo à matriz. Nas ruas nenhum sinal de vida. E se assobiasse uma canção? Aproximou-se do templo. As grandes portas fechadas. O povo todo estaria dentro? O padre poderia ter falado de abrigo divino.
Encostou o ouvido a uma das portas. Silêncio absoluto. Onde estaria o povo? Voltou-se para a cidade. Passarinhos e pombos voavam e pousavam nos fios da rede elétrica, nas árvores, nos telhados. Olhou para o céu. Sentiu-se tonto. Pensou em sentar-se no chão. Melhor buscar uma sombra. Um banco de praça. Sentiu sono. Não, não deveria dormir na rua. Voltaria para casa. Talvez o fotógrafo já tivesse retornado. Pôs-se a caminhar. Não queria mais ver as pessoas. Parecia voar. Como se o vento o conduzisse, o arrastasse. Quando cuidou, abria a porta da casa. Cambaleava. Iria morrer? Sentou-se à beira da cama. Onde andava o fotógrafo? Deitou-se. Retomou o sonho. Chegava à porta da rua. Todas as portas e janelas fechadas. Vontade de cantar, acordar os vizinhos. E se todos estivessem na igreja? Fechava a porta e saía. Ninguém na rua. Punha-se a assobiar uma canção. As grandes portas do templo fechadas. Pombos e passarinhos voavam. Sentia-se tonto. Olhava para o céu. Melhor regressar à casa. Voava. Num átimo chegava ao ponto de partida. Abria a porta e corria ao quarto. Sentava-se à beira da cama. Onde andava o fotógrafo? Deitava-se. Logo se punha a sonhar. Acordava, abria os olhos e dirigia-se ao quintal.


AS CEIAS

Serviam-se, escrupulosos.
— E as crianças? — quis saber Mário, garfo à mão.
A mastigar arroz e carne, Políbio olhou para os olhos do amigo, e, a seguir, para o quadro pendurado à parede, próximo à cabeça de Mário.
Os meninos viam televisão num dos quartos. Almoçaram cedo. Viviam com fome. Comiam feito lagartas. Todos riram, menos Sônia. Exagero do marido. Os coitados nem conseguiam engordar, tanto estudavam.
Políbio fixou novamente os olhos no quadro. Quem era o apóstolo que dormitava diante de Cristo? Teria se empanturrado de comida? Comer em demasia dava sono, dizia sua mãe. Por isso salvara-se da morte? Se não tivesse almoçado antes de todos, também teria morrido. O acaso livrou-o do veneno. Atribuíram aquilo a milagre. Deus, os santos, os anjos o protegeram.
— Vejo que vocês gostam muito de ceias — deduziu Mário.
Sônia riu e disse não ser boa cozinheira. No entanto, sentia prazer em convidar amigos para almoçarem em sua casa.
Mário olhou para o quadro à sua direita. Não lembrava o nome, porém o conhecia. Talvez do museu de arte de ...
— A Ceia de Emaús — gritou Sônia.
Políbio assustou-se e fez voltarem a mão e o garfo ao prato. Os outros, no entanto, não perceberam tais movimentos. Mário e Mônica mordiam pedaços de carne, enquanto Sônia falava de Caravaggio e sua pintura. Jesus muito jovem, ainda sem barba.
— Uma obra-prima.
Tantos anos passados, e tudo ainda tão nítido. Desespero, dores, gritos. A chegada dos vizinhos. Dona Ofélia a abraçá-lo, chorando. Sentia tontura, febre, dor. E ninguém imaginava a causa de tudo aquilo. Só após a consumação da tragédia, constatou-se ter sido o alimento envenenado.
Sem mais elogios para o pintor, Sônia se voltou para Políbio. Não tinha apetite? Não, aquele não era seu dia de gula. Os olhos de Sônia luziam. Seus cabelos pareciam mais negros. O rosto envelhecido do homem. Olhos pensativos. A taça com a bebida vermelha à altura do queixo. A barba rala.
— Gosto muito dessa pintura.
Sônia olhou para os olhos de Políbio e, logo, para o quadro de Louis Le Nain. Não ficava bem naquela parede. Talvez devesse ficar na sala de estar. Discutiam sempre por isso. Políbio riu. Birra dele e dela. Se contratassem os serviços de um especialista em ...
— Um decorador — lembrou Mário.
Aqueles pobres camponeses, suas vestes, suas feições, tudo na pintura só servia para repelir apetite.
Mário e Mônica olhavam, calados, para Sônia. Ele até balançava a cabeça, em sinal de aprovação das palavras da anfitriã.
— No entanto, a traição de Judas não deveria dar apetite aos cristãos — brincou Políbio.
Com força, Mário cortou a carne. A faca parecia rasgar o prato. Todos descalços, como no quadro dos camponeses. E neste não havia ódio, mas tristeza. Políbio depôs o garfo no prato. Mário quis virar a cabeça para trás. Sônia lembrou a salada de legumes. Mônica perguntou se a cozinheira lavava as verduras em vinagre. A cozinheira chamava-se Sônia.
Todos riram.
As crianças ainda no quarto. Presas à televisão. Pelo menos tinham pai e mãe. Um lar. Ele, não. Órfão aos cinco anos. Criado por tios e avós. Reza e missa todo dia. Ressurreição de Cristo. Balela. Órfão para sempre.
Mário falava de trabalho. Falta de tempo para se divertir, visitar amigos. Mônica concordava com ele. Vida monótona.
— Assim mesmo, ainda escrevo — concluiu Mário.
Mônica gargalhou. Escrever não era trabalhar. E enfiou o garfo numa batatinha. Políbio ergueu a cabeça. Havia mais carne no prato de Mário.
— E Políbio, escreve ou não escreve?
Sônia olhava para o convidado. Mais acima da cabeça dele, os pés descalços dos apóstolos anunciavam a tragédia bíblica. Políbio nunca falava do passado. Sempre voltava ao presente, para daí chegar a desígnios.
Mônica deu por finda a sua refeição. Cruzou os talheres e virou-se para o marido. O rosto feminil de Cristo, as tranças caídas nos ombros lembravam rapazes modernos. A ave na bandeja parecia um frango assado. Nada havia mudado na Terra.
— Ora, mudou quase tudo — contrastou Mário.
Insaciada, Sônia cravou o garfo num pedaço de lingüiça. Caravaggio matara um homem durante uma briga. Temperamento explosivo.
— Como eu queria ser assim — lamentou-se Mônica.
Não devia pensar assim. A violência... Mário sorriu. Talvez Mônica quisesse ser como ela e não como o pintor.
— Exatamente isso — desculpou-se a visitante.
Saciado, Políbio juntava as sobras do almoço no canto do prato. A assassina foi condenada a 30 anos de cadeia. Nunca mais a viu, desde o dia do crime. Se ainda vivia, disso não sabia. Nem queria saber.
Sônia deu um gritinho. Quase se esquecera do pudim. E levantou-se. Mário se disse farto. Mônica repetiu a frase. Quantos anos tinham os meninos?
— Vocês se casaram bem jovens.
Políbio fez as contas: 36 anos de vida, sendo 5 de inocência. O mais velho já andava na casa dos 10. E parecia ainda tão criança.
Chegado o pudim, todos os lábios sorriram. Os de Mário falaram.
— Escreva sua história, Políbio.
Sônia quis mudar de assunto. Só Deus salvava os homens. Os psicólogos já haviam insistido nessa história de escrever. Políbio não sabia escrever.
— Talvez não queira — opinou o visitante.
Os dois casais tomaram água. Mário aceitou café. O vício do cigarro. Tossiu e fez menção de levantar-se. Antes dele, o anfitrião se pôs de pé. Auréolas douradas cingiam as cabeças dos apóstolos.
Encaminharam-se para os sofás. Sônia ofereceu um cinzeiro a Mário e perguntou se ele conhecia outras obras de Martin Schongauer. Sonolenta, Mônica fechou os olhos. E os três meninos, assustados, chegaram à sala: Brejnev morreu.
— Vou escrever minha tragédia — anunciou Políbio.

(Continua)